38º Capitulo ~ FIM ~
A Verdade!!!!
Último Capitulo
— Eu não agüento mais isso. Vou contar tudo. — Sophie olhou para eles. — Tudo começou comigo e... É a verdade, eu juro — disse ao ver o olhar descrente de Arthur.
Micael deu um passo à frente, mas ela o impediu com um olhar que implorava por apoio.
— Soh, pelo amor de Deus, não! — exclamou ele.
— Não Mica, eu vou contar tudo. — E virando-se para o grupo, continuou: — Ana só tem a mim, pois nossos pais morreram. Morávamos juntas num pequeno apartamento sobre uma loja de ferragens em Sunshine. Eu vinha para cá todos os dias e Ana ficava numa escola para alunos especiais, paga com uma bolsa que recebia pelo Estado, pois assim não ficaria sozinha o dia todo.
— Nós fazíamos pinturas com os dedos, era muito divertido — comentou a irmã com um sorriso.— Mas Felipe não gostava das minhas pinturas. — Agora esfregava as costas de sua mão, como se tivesse levado um tapa ali.
— Eu lembro que era sua atividade favorita — concordou Sophie com um sorriso. Observou Micael cruzar a sala e ficar num canto, longe de estar calmo.
— Felipe não era uma boa pessoa, não? — indagou ele, sorrindo para Ana, embora seus olhos continuassem sérios. Ana concordou que não.
— Há um mês as verbas do Estado foram suspensas e o benefício foi cortado, assim tive que trazê-la para cá. A primeira coisa que ela viu aqui foram as tintas de Patrick e resolveu "pintar" os corredores. Felipe quase teve um ataque histérico.
— Mas eu pedi desculpas — queixou-se Ana.
— Eu sei, minha linda. Felipe não tinha direito nenhum de bater em sua mão — confortou-a Sophie e, olhando para Arthur,
prosseguiu: — Na mesma semana o aluguel do apartamento foi reajustado para um valor que eu não tinha condições de pagar. Mas o dono da mansão aqui gosta do meu trabalho e ordenou a Felipe que me deixasse morar na ala dos empregados até que eu encontrasse um outro lugar. Disse que não havia nenhum problema.
— Mas houve — interveio Mel —, para Felipe.
— Ele também morava aqui — esclareceu Chay. — E não gostava de partilhar nada.
Micael, que andava de um lado para o outro no fundo da sala, nesse momento fez um comentário em sua língua nativa. Arthur levantou uma sobrancelha, confuso.
— Eu disse que o homem era um idiota — comentou o rapaz. — Humilhava as meninas o tempo todo... As coisas horríveis que dizia a Mel...
— Eu não ligava para o que ele dizia, sabia como lidar com ele.
— Mas eu ligava. Só que não havia outro emprego para onde pudesse levar Ana comigo — queixou-se Sophie, olhando para a irmã, que agora mexia os dedos e se balançava para frente e para trás. — Tentava mantê-la ocupada durante o dia em nosso quarto, algo que pudesse fazer sozinha, como pintura ou leitura, mas às vezes ela ficava entediada.
— Ela só queria ajudar — disse Mel. — Mas Felipe queria que fosse embora. Chegou até a roubar dinheiro da minha bolsa para que eu pensasse que tinha sido Ana. No entanto eu sempre deixava que ela me ajudasse com o serviço, ela sabe varrer muito bem.
— Eu gosto de varrer — Ana murmurou, interrompendo seus movimentos.
— Era bom mantê-la ocupada — comentou Micael do fundo da sala. — Ela se sentia útil.
— E Felipe também não concordava com isso? — perguntou Arthur.
— Claro que não — Micael respondeu com um sorriso amargo. — Dois dias antes de vocês chegarem, Ana estava ajudando Mel a tirar o pó e acabou quebrando algumas coisas na sala de jantar, nada de mais.
— Felipe ficou possesso — lembrou Chay. — Gritava feito louco, chegou até a jogar coisas na parede.
— Ana ficou com muito medo — concordou Sophie e Ana voltou a balançar o corpo.
— Eu tive vontade de matá-lo naquele dia — Micael contou, no rosto uma expressão fria.
—Todos nós quisemos, mas era só raiva e frustração, ninguém aqui teria coragem de fazê-lo — foi o comentário de Mel.
— Ele chegou a levantar a mão para bater em Mel — lembrou Sophie. — Nesse momento decidi que não iria permitir que ele a tratasse daquela maneira. E então... segurei a mão dele no ar e disse que se ele encostasse um dedo nela o mataria.
Um silêncio pesado caiu sobre a sala. Lua apertou a mão de Sophie para apoiá-la.
— Eu o ouvi gritar da garagem, mas não vim ver o que era, pois a minha presença o enfurecia ainda mais. Sabia que havia perdido o emprego naquele instante, mas me sentia amortecida. Desci ao meu quarto para pegar minhas coisas, e o ouvi gritando de novo com Ana; então voltei. Quando os encontrei, estavam na sala de jantar. Ele, caído no chão, morto e Stacy ao lado dele. Havia um corte feio em sua cabeça e cacos de um vaso de vidro espalhados a seu lado.
— Era dele então o caco de vidro que encontrei na primeira noite? — perguntou Lua, e Sophie concordou.
— Eu entrei em pânico — admitiu ela. — Ana olhava para mim como se eu fosse a coisa mais importante em sua vida. Meu Deus, eu o tinha ameaçado e todos ali tinham ouvido. E ali estava ele, morto. Não posso ir para a cadeia, o que aconteceria com minha irmã?
Ana parou de se balançar e colocou a cabeça sobre os próprios joelhos.
— Tinha que parecer como se tivesse sido um acidente — continuou ela, limpando as lágrimas dos olhos. — Pensei arrastá-lo para as escadas da adega. São bem íngremes e dariam a impressão de que ele havia escorregado e caído. Então...
— Você o empurrou — foi o palpite de Arthur.
— Era minha intenção, mas ele era muito pesado. Ficou preso naquele corredor estreito da sala de jantar, deixou um rastro de sangue pelo chão e perdeu um sapato.
— E então você pediu ajuda — contribuiu Arthur novamente.
— Ela não pediu nada — interveio Micael. — Mas ela recebeu ajuda, sim. Eu o carreguei escadas abaixo. E eu o empurrei.
— E eu limpei o sangue — disse Mel.
— Porém escondeu a toalha suja de sangue embaixo da pia da cozinha , Micael, largou as luvas que usou embaixo da cama de Sophie — revelou ,Arthur surpreendendo-os.
— Iríamos nos livrar disso quando as estradas fossem liberadas — Mel murmurou. — Mas continuou nevando...
— E como Felipe conseguiu aquele furo no peito? — Arthur indagou.
— Fui eu — Chay confessou, depois de ter ficado calado por um longo tempo. — Quando vi como Ana estava apavorada, enlouqueci — admitiu ele. — Por acaso eu tinha comigo a pistola de chumbinho, pois estava afugentando alguns esquilos. Quando vi aquele maldito caído no chão, soube naquele instante que ele tinha acabado com nossas vidas, aí atirei.
— Mas sabe que não foi isso o que o matou — esclareceu Arthur.
— Sei. Mas ele dizia coisas horríveis para Mel, e aterrorizava a pobrezinha aqui. — Apontou para Ana. — O maldito merecia morrer.
Arthur balançou a cabeça e passou a mão pelo rosto.
— Você não acha? — indagou Micael.
— Não importa o que eu penso.
— Desde quando? — ele insistiu.
— Sabemos que o homem era um canalha, e do pior tipo. Mas isso não lhes dava o direito de decidir que ele morresse — disse Arthur, deixando as mãos caírem ao longo do corpo. — Por que ninguém o denunciou por abuso de autoridade, por assédio moral ou qualquer outra coisa? Não precisava ter chegado a esse ponto.
— Por favor, não diga à polícia o que Ana fez... — implorou Sophie com os olhos rasos de lágrimas. — Por favor!
Arthur deu um longo suspiro, carregado de tensão e tristeza. Todos o olhavam, apreensivos. Lua sofria por ele e pela decisão que sabia que ele tinha de tomar, e por Ana, com seu sorriso inocente e contagiante.
Quando a campainha tocou todos deram um pulo. Micael e Chay se levantaram num salto. Arthur também, fazendo um sinal com a mão para que permanecessem sentados.
— Deixem que eu lido com isso — pediu, mas nenhum dos dois se moveu. — Sentem-se por favor. — Eles continuavam em pé. — Confiem em mim.
— Você é um policial — acusou Micael, como se a palavra "polícia" e "confiança" não pudessem aparecer juntas na mesma frase.
— Sim, Micael, com todas as fibras do meu ser, conforme descobri recentemente — retrucou Arthur. — Mas neste exato momento, eu não passo de um homem de férias. — Esperou até que o mordomo o olhasse e pediu mais uma vez. — Por favor, confie em mim.
Micael considerou por mais alguns segundos e então sentou-se lentamente, afundando-se na poltrona e cruzando os braços.
— Vejamos então — começou Arthur. — Vocês têm a toalha com sangue, as luvas e a pistola. Onde está o vaso com o qual Ana bateu em Felipe ?
— Eu não bati nele — disse Ana com voz suave, mas surpresa. Todos a olharam, incrédulos.
A campainha soou novamente. Arthur correu para onde Ana estava sentada e ajoelhou-se aos seus pés.
— Você não acertou Felipe com o vaso?
— Não, eu não bato em ninguém. — Ela balançou a cabeça vigorosamente, fazendo com que seu cabelo caísse sobre o rosto. Inclinou-se no ouvido de Arthur e sussurrou. — Eu não devo bater em ninguém.
— Não deve mesmo. — Deu-lhe um sorriso maroto que fez com que Lua tivesse vontade de beijá-lo. — Mas como então ele caiu no chão?!
— Desse jeito. — Ana se levantou, pôs a mão no peito, revirou os olhos, colocou a língua para fora e fez uma careta. Então jogou-se no chão de lado e começou a se debater, lutando para respirar. Depois de três segundos de ficar ali se debatendo ela se sentou com um sorriso. — Foi assim!
— Meu Deus! — exclamou Sophie, sem acreditar.
Arthur tomou-lhe a mão para que ficasse quieta, sem nunca tirar os olhos de Ana.
— E o vaso?
— Ele o agarrou enquanto caía. O vaso fez plim-plim-plim — cantarolou Ana, dançando pela sala.
A campainha soou pela terceira vez. Arthur deu um abraço em Ana, que ficou envergonhada e enrubesceu violentamente.
— Obrigado, você ajudou muito — agradeceu ele. Ana era só sorrisos.
Arthur dirigiu-se à porta principal e Luao seguiu, segurando-o pelo braço antes que ele a abrisse.
— Thur?
— Agora não posso Lua, tenho que... ei! — Ela tinha se jogado em seus braços e puxava sua cabeça para um beijo.
— Eu não estou somente me envolvendo com você, Arthur, eu estou me apaixonando! — Ele a olhou, em choque — E você vai se dar muito bem hoje à noite, muito bem!
— Certo — murmurou ele, com um sorriso tentador nos lábios. — Vou cobrar essa promessa mais tarde.
Três horas mais tarde, a polícia já tinha ido embora, levando finalmente o corpo de Felipe.
Estavam todos sentados na sala de estar. Arthur olhou à sua volta, percebendo o que estava diferente: não havia mais tensão no ar. Olhou para Lua e ela lhe brindou com um sorriso radiante.
— Um infarto — disse Micael, parecendo tão perplexo quanto Arthur. — Quem diria?
— O legista terá que confirmar — advertiu Arthur. — Nós estamos apenas presumindo que foi ataque cardíaco, mas faz sentido.
— A polícia também achou — opinou Lua. — Eles disseram que quando Felipe estava gritando com Ana sentiu dores no peito e agarrou o vaso ou a toalha da mesa. Ela, por sua vez, pensou que ele iria atacá-la e gritou. Chay veio correndo, viu a cena e atirou em autodefesa. — Olhou para Arthur. — Parece que esta será a versão oficial.
— Inacreditável! — exclamou Micael. — E ninguém vai ser preso! Até que você não é tão ruim assim, para um policial.
— Obrigado — Arthur agradeceu pelo elogio, meio torto, que recebeu.
— E agora? — perguntou Mel — Vocês dois ainda têm o resto da semana para ficarem aqui. O céu limpou e o tempo vai ficar ótimo, pelo menos foi o que disse a previsão do tempo. Vão ficar?
— Eu bem que preciso de férias. — Lua olhou para Arthur. — E você?
— Exatamente o que meu médico recomendou — respondeu ele. — Começando agora!
Assim dizendo, levantou-se e puxou Lua, carregando-a no colo como se fosse uma pluma. Depois se virou para os funcionários que se divertiam com a cena.
— Ouvi dizer que vocês têm uma suíte nupcial maravilhosa e que ela vem com uma cesta de acessórios como brinde. Ficaremos nela esta noite. E agora que as estradas foram desbloqueadas, vocês podem ir para casa e tirar o resto da semana de folga. Ficaremos bem.
FIM.

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