38º Capitulo ~ FIM ~
A Verdade!!!!
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23 novembro 2013
27 outubro 2013
22 setembro 2013
Falsa Lua-De-Mel, 33 e 34°
FALSA LUA DE MEL
33º e 34º Capitulos ultimos cap
Segredo!!!!
— Não posso! — respondeu ela, ainda puxando o suéter para longe do peito. — Quero tomar um banho primeiro. — E libertando-se dele, saiu correndo da sala de ginástica, passando pelos corredores em direção à suíte nupcial.
Entrou na suíte em tempo recorde, e fechou a porta atrás de si, quase batendo-a no rosto de Arthur que a seguira. Não se surpreendeu.
— Acho que você não entendeu — disse ela, sentindo o peito doer pelo esforço da corrida. — Eu vou tomar uma ducha sozinha.
Ainda estava pálida e ofegante. Seus olhos estavam brilhantes, como se a qualquer momento fosse começar a chorar.
— Pensei que talvez quisesse companhia — disse Arthur.
— No chuveiro?
— Lua... não é isso.
Ela não desgrudava os olhos do par de luvas que ele ainda trazia nas mãos, então ele fechou as portas da suíte, trancou-a e só então, cuidadosamente, depositou as luvas na cômoda. Lua olhou-as novamente e estremeceu.
— Vá tomar seu banho, eu esperarei aqui — sugeriu ele.
— Obrigada... Eu acho que vou vomitar, e não quero que me veja fazendo isso. — Acenou
Após o banho, Lua saiu da suíte, e no lado de fora, virou-se para a porta, respirando fundo.
Desceu as escadas, distraída com os pensamentos sobre os últimos acontecimentos e não viu quando Micael surgiu em sua frente, do nada, como de costume. Deu um pulo para trás, quase caindo sentada no último degrau.
— Como é que faz isso?! — Quase gritou pelo susto.
— Se eu lhe disser terei que matá-la — respondeu ele, com um sorriso enigmático, mas ao ver a expressão zangada que tomou conta do rosto de Lua, acrescentou: — Desculpe, foi uma brincadeira.
— De péssimo gosto, por sinal — retrucou ela, com a mão no peito, imaginando se o mordomo não tinha como hobby matar gerentes grosseiros, assim como hóspedes indefesos.
— Tudo bem por aqui? — perguntou Sophie, aparecendo atrás de Micael.
Lua acenou em concordância. Será que Sophie se apaixonara por um homem que poderia ter matado alguém? Não, claro que não. Mas como então explicar as luvas sujas de sangue embaixo da cama de Micael? Ou nas outras toalhas embaixo da pia de Sophie?.
— Vim comer alguma coisa, estou faminta — desconversou.
— Claro! — disse a outra, alegre. — Eu levarei para a sala de jantar. Ou prefere a biblioteca? Onde vai ficar?
Não gostava de estar sozinha em lugar nenhum naquela casa. Tinha medo do que poderia encontrar. Mas antes que tivesse tempo de decidir, Arthur surgiu nas escadas e parou a seu lado, colocando a mão na base de sua coluna. Um gesto tão discreto, mas que ao mesmo tempo dizia tanto.
— Como está a neve? — perguntou ele a Micael.
— Já estamos no meio do caminho. Pode ser que demore mais algumas horas.
— Só quando anoitecer, então. — Micael concordou com a cabeça. — Você consegue se orientar no escuro?
— Sim, mas é uma manobra suicida por causa do frio, dos coiotes e ursos e...
— Ursos?! — interrompeu Lua, alarmada. — Não quero que ninguém saia daqui com ursos lá fora!
— Então foi você! — Foi a vez de Arthur falar. — Foi você quem pintou a paisagem na lâmina da serra. Foi colocada no dia em que encontramos Felipe.
— Fui eu que pendurei. Chay não queria que eu o fizesse, mas eu sempre achei que os hóspedes gostariam de ver o que ele sabe fazer de melhor. A cidade de Sunshine não tem galeria de arte, mas um pouco mais ao sul, perto do lago Tahoe, há dezenas de lojinhas ao redor do lago onde ele poderia expor seu trabalho. Na verdade deveria expor.
— Talvez — desconversou Chay, dando de ombros.
— Chay, você é muito bom — comentou Sophie —, e a sua idéia de pintar sobre objetos antigos é única. Você realmente deveria tentar.
Chay chegou perto do fogo, inclinou-se e cutucou as brasas na lareira com um pouco mais de força do que necessário.
— Ele morreu, Chay — disse Maite, tocando-o nas costas. — Não precisa mais se preocupar.
— Preocupar-se com o quê? — perguntou Arthur, mas ninguém respondeu. — O que está escondendo?
Sophie e Mel trocaram olhares cúmplices. Chay mexeu no fogo mais uma vez, fazendo com que fagulhas saltassem das brasas. Micael permaneceu calado e Arthur balançou a cabeça irritado.
— Está tarde e eu estou exausta — disse Sophie, num rompante. — Vou dormir. — Não olhou para nenhum deles enquanto se dirigiu à porta. — Boa noite.
Mel olhou para Micael com ar muito preocupado e se virou para seguir Sophie, mas Micael a interrompeu.
— Deixe que eu vou — disse ele num murmúrio. Passou por Mel e deu-lhe um abraço.
— Está tarde mesmo, e estamos todos muito cansados. Também vou me recolher. Chamem-nos se precisarem de algo — disse a Lua e a Arthur. — Chay, você vem?
Chay ficou visivelmente surpreso por ser chamado assim tão publicamente, mas seguiu-a como se fosse um cãozinho adestrado.
Quando os dois se viram a sós, Arthur levantou-se.
— Foi divertido — disse e estendeu a mão para Lua. — Vamos lá, vamos nos divertir mais um pouco.
— Segure isto, sim? — pediu ele, passando-lhe a lanterna. Então, puxou a manga da camisa para cobrir a mão antes de abrir a porta do carro. — Não posso deixar impressões digitais — explicou. — Agora ilumine o banco de trás para mim.
O que aconteceu a seguir foi muito rápido. Ao dar o primeiro passo para chegar mais perto, o salto da bota de Lua escorregou no gelo e quando deu por si, ela já estava estatelada no chão, a lanterna caindo e rolando para o lado antes de apagar por completo. Arthur veio correndo para ajudá-la, suspirando frustrado pela perda do objeto.
— Você está bem? Está machucada?
— Só o meu BumBum, e talvez meu orgulho — disse ela, gemendo de dor.
— Não me parece ter quebrado nada. E seu orgulho vai sarar — foi a prescrição de Arthur ao levantá-la.
— Mas a lanterna quebrou — disse ela e ele concordou.
Um silêncio desconcertante pairou por alguns segundos, antes de ser interrompido pelo som de coiotes uivando na floresta. Lua chegou mais perto de Arthur, odiando ser tão fraca.
— Você viu? — perguntou ele num sussurro. — Antes de escorregar, você viu?
— Vi a pistola de chumbinho no banco de trás — respondeu ela, abraçando-se para se aquecer. — Thur, isso é loucura. Toalhas e luvas com sangue, o sapato de Micael e agora a pistola... O que significa tudo isso?
— Não sei. — Estava realmente confuso. Ao vê-la tremendo de frio, puxou-a para perto. — Venha, vamos entrar. — E viraram em direção à porta.
— Lá dentro está tão frio quanto aqui — sussurrou ela.
— Eu aqueço você.
— E também está escuro — continuou.
— Eu serei a sua luz — disse Arthur e Lua não conseguiu prender o riso.
— Nossa, que coisa mais brega! — disse ela.
— Pois é... Nunca fui bom em dizer coisas românticas — respondeu ele, envergonhado.
— Acho que está se saindo melhor do que imagina — Lua comentou suavemente, encostando a cabeça naquele ombro largo e forte.
Lua acordou ao amanhecer e se viu de bruços estirada sobre a cama, enrolada nas cobertas. Levantou, pegou suas roupas e começou a vestir-se. Tinha acabado de vestir as botas quando ouviu o som no corredor. Foi até a porta e abriu-a. Era Sophie, e estava correndo em direção às escadas.
— Sophie? — chamou e a moça se virou. Vestia uma saia longa e florida e um abrigo azul de moletom de capuz, que usava sobre a cabeça. Ao vê-la, Sophie sorriu timidamente. — Está tomando lições de moda com Micael? — perguntou Lua.
O sorriso de sophie mudou de ansioso para nervoso em segundos e puxou o capuz da cabeça. Seu cabelo não estava arrumado no rabo-de-cavalo como de costume, mas totalmente despenteado.
— Então, onde é o incêndio? — brincou Lua.
— Incêndio? — Ela arregalou os olhos. — Meu Deus, há um incêndio? Fogo, fogo! — gritou ela, e saiu correndo escadas abaixo.
— Não, eu... Soh volte aqui! — chamou. — Era só uma força de expressão, não há... droga — resmungou. Achou melhor ir atrás da moça, e dirigiu-se às escadas.
A luz do sol entrava por todas as janelas. Era a primeira vez que isso acontecia desde que chegara, e ao ver os aposentos inundados pela luz ela se espantou com a diferença. Tudo parecia tão mais aconchegante, elegantemente simples, não triste e sombrio.
Lá fora o céu era de um azul claríssimo, tão vasto e límpido que seu brilho nas vidraças doía ao olhar. No fundo da escadaria, viu as janelas do saguão principal. Todos estavam lá fora. Chay e Arthur estavam inclinados sobre o motor aberto de uma das motos para neve, Arthur estava lidando com a outra. A seu lado estavam Mel e Sophie, que vestia jeans escuros e um suéter branco que lhe caía até os joelhos, seu cabelo preso num rabo-de-cavalo perfeito.
Não havia saia florida, ou suéter, ou cabelo desgrenhado.
Lua se virou e olhou para o corredor ao lado da cozinha, onde ainda ouvia os passos apressados fugindo dela
Lua acordou ao amanhecer e se viu de bruços estirada sobre a cama, enrolada nas cobertas. Levantou, pegou suas roupas e começou a vestir-se. Tinha acabado de vestir as botas quando ouviu o som no corredor. Foi até a porta e abriu-a. Era Sophie, e estava correndo em direção às escadas.
— Sophie? — chamou e a moça se virou. Vestia uma saia longa e florida e um abrigo azul de moletom de capuz, que usava sobre a cabeça. Ao vê-la, Sophie sorriu timidamente. — Está tomando lições de moda com Micael? — perguntou Lua.
O sorriso de sophie mudou de ansioso para nervoso em segundos e puxou o capuz da cabeça. Seu cabelo não estava arrumado no rabo-de-cavalo como de costume, mas totalmente despenteado.
— Então, onde é o incêndio? — brincou Lua.
— Incêndio? — Ela arregalou os olhos. — Meu Deus, há um incêndio? Fogo, fogo! — gritou ela, e saiu correndo escadas abaixo.
— Não, eu... Soh volte aqui! — chamou. — Era só uma força de expressão, não há... droga — resmungou. Achou melhor ir atrás da moça, e dirigiu-se às escadas.
A luz do sol entrava por todas as janelas. Era a primeira vez que isso acontecia desde que chegara, e ao ver os aposentos inundados pela luz ela se espantou com a diferença. Tudo parecia tão mais aconchegante, elegantemente simples, não triste e sombrio.
Lá fora o céu era de um azul claríssimo, tão vasto e límpido que seu brilho nas vidraças doía ao olhar. No fundo da escadaria, viu as janelas do saguão principal. Todos estavam lá fora. Chay e Arthur estavam inclinados sobre o motor aberto de uma das motos para neve, Arthur estava lidando com a outra. A seu lado estavam Mel e Sophie, que vestia jeans escuros e um suéter branco que lhe caía até os joelhos, seu cabelo preso num rabo-de-cavalo perfeito.
Não havia saia florida, ou suéter, ou cabelo desgrenhado.
Lua se virou e olhou para o corredor ao lado da cozinha, onde ainda ouvia os passos apressados fugindo dela
Lua se virou e olhou para o corredor ao lado da cozinha, onde ainda ouvia os passos apressados fugindo dela.
— Sophie? — chamou, sentindo que seu corpo se desprendia da realidade. Deu mais uma olhada lá fora e virou-se para o corredor. — Olá!
— Não há ninguém aqui! — Ouviu uma voz.
Poderia jurar que aquela era a voz de Sophie. Mas ela estava lá fora, acabara de vê-la. Sentindo arrepios percorrerem seu corpo, Lua entrou na cozinha vazia.
— Olá — chamou novamente, mas com medo da resposta.
— Já disse que não há ninguém aqui, não ouviu não?!
A voz não tinha vindo da cozinha. Lua passou por ela, e dirigiu-se para a sala de jantar, que também estava vazia.
— Onde está você?
— Vá embora!
A voz vinha dos fundos, da ala dos empregados. Estava mais escuro ali, mas não tão escuro como das vezes anteriores. Insegura, Lua olhou para a porta da adega, atrás da qual estava o corpo de Felipe. Virou-se e olhou para as outras quatro portas. Todas fechadas. Sabia que havia alguém atrás de uma delas.
— Quem é você?
— Não posso dizer — finalmente veio um sussurro de trás da porta. — Eu não tenho permissão.
Lua ficou paralisada e confusa, no meio do corredor na ala dos funcionários.
— Sophie? — chamou, mesmo sabendo não se tratar dela.
— Você gosta da Sophie, você é amiga dela — o sussurro veio do lado esquerdo de Lua, mas havia duas portas ali.
— Sim, sou amiga dela e você, quem é?
— Você é boazinha, você vai entender — respondeu a voz. Vinha da porta ao lado da adega que estivera trancada todo o tempo.
— Entender o quê?
— O que aconteceu.
— Com Felipe? — A voz não respondeu. — E quem é você? — Silêncio novamente. — Não pode me dizer quem é?
— Eu não devo.
Com o coração quase saltando do peito, Lua segurou a maçaneta da porta.
— E por que não?
— Porque eu sou um segredo — sussurrou a voz absurdamente parecida com a de Sophie. Mas não era Sophie, Lua sabia que não.
— Um segredo? — perguntou, tentando ganhar tempo e abrir a porta que, para sua frustração, continuava trancada.
— Sim, eu tenho que ficar aqui quietinha e não me meter em encrenca enquanto Sophie vai trabalhar.
— Ah, então você é a irmã de Soppppppphie — arriscou Briana, olhando para a porta.
— Sou sim! — Ouviu um risinho de trás da porta, que com um clique, se abriu lentamente. Era rosto de Sophie mas ao mesmo tempo não era. Os olhos eram levemente caídos, e a boca era mais cheia, características típicas de Síndrome de Down. — Sou a irmã gêmea dela e eu sou especial — disse ela sorrindo.
— Mas é claro que é — Lua murmurou suavemente, sentindo um inexplicável nó na garganta. — E qual é o seu nome?
— Ana.
— Que nome lindo! Sophie deve amar muito você.
O rosto de Ana se abriu num sorriso, iluminando-lhe as feições.
— Eu também a amo! Por isso eu fico bem quietinha. Eu fiquei quietinha, não fiquei? Você nem percebeu que era eu na sua primeira noite aqui! — Sua voz soava infantil, como se pertencesse a uma criança de aproximadamente dez anos.
— Ah sim, você ficou quietinha mesmo — concordou Lua, descobrindo agora quem era o rosto flutuante que visitara seu quarto.
— Eu não posso deixar que Felipe me veja. Ele diz que eu sou uma retardada, mas eu não sou não! — exclamou Ana.
— Isso não foi muito educado da parte dele — Lua disse, sentindo seu coração se apertar.
— Ele é muito mau! Eu costumava ajudar Sophie, mas aí quebrei um prato e ele... — Não terminou a frase, franziu a testa e cruzou os braços, virando-se para o outro lado.
— Ele machucou você, Ana? — perguntou, um ódio súbito por Felipe surgindo em seu peito.
— Eu não devo falar sobre ele — disse ela se encolhendo mais. — Ele não gosta. Ele disse a Sophie que eu não poderia mais vir aqui com ela.
— Então você se escondeu. — Lua deduziu, mas Ana não respondeu. Em vez disso começou a murmurar bem baixinho. — Mas ele se foi. — Tentava falar suavemente para não assustá-la. — Ele não vai mais gritar com você nem machucá-la.
— Não, ele não foi embora! — exclamou Ana, e olhou assustada para a porta da adega. — Ele está ali dentro, eu vi!
— Ana, ele morreu, meu bem.
— Tem certeza? — questionou ela, piscando seus olhos enormes para Lua.
Naquele instante a única coisa da qual Lua tinha certeza era a onda de carinho e proteção por aquela moça tão adorável que tomava conta de si.
— Está vendo? Nem você tem certeza. — Cobriu seu rosto com as mãos. — Por isso que eu fiz, assim ele nunca mais iria bater na Sophie...
Lua gelou ao ouvir as palavras da moça.
— Ana, você teve algo a ver com a morte de Felipe? — perguntou delicadamente, mas Ana voltara a murmurar e balançar o corpo para a frente e para trás. — Ana, meu bem, pode me dizer o que você fez? Foi para proteger a sua irmã?
Ana continuou a murmurar, mas balançava o corpo mais rapidamente. — Oh, Ana...
— Ele estava sempre gritando — disse ela, quase chorando. — Ele me assustava tanto, estou contente que ele tenha morrido! — Cobriu o rosto novamente. — A Ana é malvada...
— Ana! — Foi o grito surpreso de Sophie, parada no corredor. Estava tanto apavorada quanto penalizada.
— Olá! — disse Ana sem jeito, cobrindo a boca com as mãos.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou Arthur Viera logo atrás de Micael, e cravou os olhos em Lua.
— Eu estava quietinha, como você mandou — disse Ana a Sophie, abraçando-a com força. — Estava sim.
— Está tudo bem, meu amorzinho. — Sophie embalou a irmã. — Vai ficar tudo bem.
— O que está acontecendo agora... Dios mio! — Mel apareceu e viu a cena.
— Eu estava conversando com a moça, Mel! — esclareceu Ana.
— Oh, carino! — Mel se aproximou e abraçou Sophie e Ana juntas.
— Eu estou em apuros? — perguntou Ana.
Sophie a abraçou mais forte, trazendo Ana para perto, e beijando-lhe a testa.
— Não, meu amor, você não fez nada de errado. — Virou-se para Lua, olhando-a nos olhos, silenciosamente implorando para que acreditasse. — Nada!
— Você está bem? — perguntou Arthur, chegando ao lado de Lua.
— Sim, claro. Arthur, esta é Ana, irmã gêmea de Sophie. Ela...
— Não fez nada de errado — interrompeu Micael, juntando-se ao grupo. Colocou a mão no ombro de cada uma delas, defendendo-as. — Eu sei o que está pensando, mas não é verdade.
— Não estou pensando nada —justificou-se Arthur.
— E claro que está, você é um policial. Sua mente sempre gira em torno do assunto. Mas está errado.
— Minha mente pode estar sempre girando, mas isso não faz de mim um homem sem coração — respondeu Arthur friamente. — Achei que já tinha compreendido.
Mel afagava o cabelo de Ana, e Sophie ainda abraçava a irmã. Poncho estava atrás das três como se fosse um anjo protetor. Ver os quatro, como se fossem um só ser, tocou o coração de Lua.
— Nós vamos sair daqui e as autoridades irão...
Continua..
Creditos: UR
07 junho 2013
01 junho 2013
24 maio 2013
30 abril 2013
20 abril 2013
29 março 2013
22 fevereiro 2013
{FIC} Falsa Lua-de-Mel
{FIC} Falsa Lua-de-Mel
9º e 10º Capitulo de Falsa Lua-de-Mel
Coisas Estranhas!!!!
— Oh, não se preocupe — disse Sophie, que vinha atrás dela. — Não é preciso se produzir para o jantar. Aqui não é um hotel, é a sua casa, pode se vestir como quiser.
— Não é minha exatamente — Lua observou secamente, olhando para Arthur. — Mas essa falta de código de vestuário vem bem a calhar, pois minha bagagem foi extraviada.
— Nossa, seu dia foi ruim mesmo — Sophie comentou, solidária. — Vou ver o que posso arrumar para você amanhã de manhã, está bem? — Ofereceu-se antes de deixá-los na sala.Lua ficou ali parada como se fosse sair correndo a qualquer instante, se tivesse para aonde ir. Decidiu que iria sentar o mais longe possível de Arthur. Prevendo isso, ele levantou-se e puxou a cadeira a seu lado para que ela se acomodasse. Ela hesitou quando ele tocou de leve a base de seu pescoço.
— Ainda está com medo ou com frio? — perguntou.
— Nenhum dos dois — retrucou ela em tom seco.
— Então por que... — Arthur não terminou a frase. Não sabia o motivo, mas quando a tocara pela primeira vez, algo muito estranho tinha acontecido: sentira uma espécie de fagulha, vinda de algum lugar dentro de si... e queria sentir de novo.
Lua segurou-o pelo pulso, e ele sentiu aquela faísca se transformando numa labareda.
— Arthur...
— Humm?
— Você vive me tocando — sussurrou ela. — E se continuar eu vou...
— Vai fazer o quê? — ele provocou, sabendo que já tinha registrado a suavidade daquela pele em seu cérebro.
— ...tomar uma atitude. — Lua mordeu os lábios, nervosa.
— Tome a atitude que quiser. — Sorriu, bem-humorado quando, ela tirou sua mão da dele com um gesto teatral, levantou-se e deu a volta na mesa. Marchava como se estivesse vestindo algo tirado de uma revista de moda. Só de vê-la gingando o corpo daquela forma, sentiu-se abalado. Devia estar em péssima forma por se excitar assim tão rápido.
Do outro lado da mesa, Lua puxou uma cadeira e sentou-se empertigada, lançando-lhe um olhar de
superioridade.
— Sabe o que eu acho? Acho que está louquinha por mim — sentenciou ele.
— Você deve estar delirando. Você... — interrompeu-se, pois naquele momento Sophie voltou à sala
com uma garrafa de vinho, seguida por Micael,que pousou uma grande bandeja na cabeceira da
mesa.
— Estou me sentindo tão culpada! — desculpou-se Sophie. Tinha agora um sorriso sem graça e suas
mãos se apertavam nervosamente. — As ordens de Chay são para fazer uma refeição gourmet, com
três pratos, e eu passei o dia todo fazendo um frango assado com polenta e queijo,acompanhado
de cogumelos
trufados, mas quando a energia caiu o forno desligou e eu não consegui terminar nada...
— Calma, não se preocupe! — tranqüilizou-a Arthur. — Não tenho frescuras para comida.
— Nem eu, muito obrigada por nos servir esta refeição. — Lua deu-lhe um sorriso sincero, um
daqueles que não tinha dado para Arthur.
— Oh, mas não é nem de longe o que deveria ser — desculpou-se Sophie mais uma vez, ainda
apertando as mãos. — Mas esperem até amanhã, vou mimar vocês até não agüentar mais — disse
enquanto pegava uma das bandejas já vazia.
Lua estava levando uma uva à boca, mas parou no meio do caminho. Colocou-a de volta no
prato e olhou para Arthur, esperando uma resposta.
Arthur sabia que ela esperava que ele confirmasse que na manhã seguinte não haveria dois
hóspedes, pois ele iria embora. Mas em vez disso ele simplesmente sorriu, pois não tinha a
menor intenção de sair dali.
Lua fulminou-o com o olhar e comentou:
— Um de nós vai partir amanhã. — E ao ver que Arthur negava com a cabeça, indagou: — Como assim, não?!
— As estradas estão bloqueadas e ninguém vai conseguir passar por elas até que essa nevasca acabe. Enquanto isso, estamos todos presos aqui — esclareceu ele calmamente.
— E onde vocês dormem quando isso acontece? — Lua perguntou, virando-se para Sophie e Micael.
— Ah, não se preocupe conosco — respondeu Sopie rapidamente. — Há acomodações para os empregados. Vocês nem irão perceber que estamos aqui. Inclinou-se para servir mais vinho para Arthur e Lua, que afastou a cadeira para dar mais espaço a ela. Ao puxar a cadeira ouviu um arranhado que nada tinha a ver com o móvel. Olhou para o chão e recolheu um pequeno caco de vidro.
— Algo deve ter se quebrado por aqui — comentou. Sopie olhou para o caco, mas não se moveu.
— Deve ter escapado na hora da limpeza, obrigado. — Micael adiantou-se e tirou a pequena lasca da mão de Lua. Virando-se para Sophie tomou-lhe a garrafa de vinho das mãos, depositando-a sobre a mesa e indicando com a cabeça que deveriam sair.
— Então estamos presos aqui — sentenciou Arthur. — É melhor aceitar e relaxar. O que acha? — Levantou a taça de vinho, como num brinde.
Lua o olhou por um instante, levantou sua taça também e tomou todo o conteúdo de uma só vez, antes de estender o braço para pegar a garrafa novamente.
— Ei, princesa, vá com calma! — advertiu-a. — Na altitude em que estamos esse vinho vai subir direto para a sua cabeça, e rápido. Beba água também, caso contrário, vai ficar desidratada.
Lua murmurou algo ininteligível.
— Só estou tentando ajudar para que não tenha uma ressaca amanhã. — Ele riu alto e levantou as mãos em defesa.
Ia começar a se servir dos queijos e pães quando o som de passos rápidos desviou sua atenção da mesa. Não eram passos apressados como os de Sophie, ou o som inconfundível de solados de borracha como os de Micael. Esses eram pesados, duros, e havia um clique-clique como se fosse alguém mancando.
— O que é isso? — sussurrou Lua, alarmada.
— Não tenho a menor idéia — murmurou Arthur. Assustada com os passos que chegavam cada vez mais perto, Lua saltou da cadeira onde estava, caminhando apressadamente em direção a Arthur, mas no instante em que contornava a mesa, o salto de sua bota escorregou no chão liso e ela perdeu o equilíbrio.
Arthur fez o que pôde para impedi-la de cair, e segurou-a em seus braços. Os cabelos sedosos caíram em seu rosto, e seu cérebro travou quando sentiu aquelas curvas se amoldando em seu corpo. Os seios dela se comprimiam de encontro a seu peito, as pernas entrelaçadas às dele.
Foi então que uma figura extremamente alta e magra preencheu o vão escuro da soleira da porta, sem revelar suas feições. A voz masculina num sotaque escocês fortíssimo soou no ambiente:
— Desculpe, mas algum dos dois viu uma lanterna por aí? — Ainda sentada no colo de Arthur, Lua gelou de medo.
A sombra deu um passo para dentro da sala. A luz das velas o recebeu, revelando um homem, de cerca de uns trinta anos, que vestia um tipo de cinto de utilidades do qual apareciam pendurados um martelo, uma chave-inglesa e várias outras ferramentas. Daí o barulho estranho.
Arthur olhou divertido para Lua, que permaneceu onde estava por mais um instante, antes de soltar a respiração e tentar se desvencilhar do colo dele. Propositadamente, ele usou de sua força masculina para segurá-la ali. Virou-se na direção do homem e respondeu:
— Sinto muito, mas não temos nenhuma lanterna aqui.
— Estou tentando consertar o maldito gerador. — O escocês ainda soltou um palavrão e cocou a cabeça, mostrando uma cabeleira ruiva. — A energia caiu por toda vizinhança. Vai levar dias para voltar e eu não consigo consertar a droga do gerador.
— Vários dias?! — Lua perguntou, apavorada.
— Sim, isso mesmo... Bem, vou indo. — E foi embora, murmurando outras imprecações.
— Se eu chamá-lo de volta... você se joga nos meus braços de novo? — Arthur sussurrou na orelha dela.
— Ora, você não presta!
— Acha mesmo? Por que há um minuto você não conseguia desgrudar de mim?
— Solte-me! — ordenou ela, mas Arthur estava gostando de tê-la assim tão perto. — Mandei me soltar!
— Não, até que diga: "Obrigada, por salvar minha vida, Arthur." — sugeriu ele, sorrindo e imitando sua voz.
— Você não salvou minha vida coisa nenhuma! — Lua levantou-se rapidamente, e puxou o abrigo do agasalho abaixo das coxas, para que nenhuma de suas curvas ficasse à mostra. — Vou dormir; boa noite! — Com o nariz empinado, marchou para fora da sala de jantar.
Lua manteve a cabeça erguida até o momento em que deixou a sala de jantar e se viu novamente no escuro.
Parada ali, sozinha, com aquela mansão enorme e escura à sua volta, sentiu um desagradável frio na barriga.
— Vamos lá, você é corajosa — murmurou. — E uma mulher corajosa não acredita em casas mal-assombradas ou em monstros...
Alguma coisa rangeu na casa, e ela deu um pulo, enquanto disparava numa corrida. Só parou quando se viu dentro da sala e fechou as portas, recostando-se nelas, ofegante pela corrida.
A sua frente, o fogo crepitava. Os sofás de couro eram perfeitos para se aconchegar numa noite como aquela. Afastou-se das portas e caminhou em direção a eles, mas no meio do caminho as portas se abriram novamente e, com um grito de susto, ela caiu no sofá.
— Calma, sou eu! — exclamou Sophie. — Desculpe. Você está bem?
— Sim claro — mentiu. Ergueu a cabeça ao ouvir uma outra voz feminina vinda da porta.
— Oh, aí está você! Lua, esta é Mel, nossa camareira.
Mel era alta e exótica, o tipo de mulher que as mulheres invejam e os homens cobiçam. Vestia calças pretas justíssimas e uma blusa branca acetinada, colada ao corpo, com o primeiro e o último botão abertos, o que evidenciava uma cintura estreita e seios fartos. Sua postura era ainda mais empinada devido aos sapatos de salto agulha altíssimo.
— Seja bem-vinda — disse ela. Era ao mesmo tempo incrivelmente bonita e intimidante. Tinha feições latinas e seus cabelos escuros estavam presos num coque alto, com algumas mechas soltas. — Já tenho um quarto aquecido para você — informou com voz suave.
Lua se sentiu desajeitada com o agasalho de Arthur e tentou ajeitá-lo para, pelo menos, mostrar que tinha um corpo ali embaixo.
— Já temos eletricidade? — perguntou, ansiosa.
— Infelizmente não — respondeu ela. — Mas acendi a lareira para você num dos quartos lá em cima.
— Que bom! Isso significa que de frio, ninguém vai morrer — comentou Sophie com um sorriso, que se esvaneceu ao olhar para a camareira. — O que foi? Isso não é uma boa notícia?
Parada ali, sozinha, com aquela mansão enorme e escura à sua volta, sentiu um desagradável frio na barriga.
— Vamos lá, você é corajosa — murmurou. — E uma mulher corajosa não acredita em casas mal-assombradas ou em monstros...
Alguma coisa rangeu na casa, e ela deu um pulo, enquanto disparava numa corrida. Só parou quando se viu dentro da sala e fechou as portas, recostando-se nelas, ofegante pela corrida.
A sua frente, o fogo crepitava. Os sofás de couro eram perfeitos para se aconchegar numa noite como aquela. Afastou-se das portas e caminhou em direção a eles, mas no meio do caminho as portas se abriram novamente e, com um grito de susto, ela caiu no sofá.
— Calma, sou eu! — exclamou Sophie. — Desculpe. Você está bem?
— Sim claro — mentiu. Ergueu a cabeça ao ouvir uma outra voz feminina vinda da porta.
— Oh, aí está você! Lua, esta é Mel, nossa camareira.
Mel era alta e exótica, o tipo de mulher que as mulheres invejam e os homens cobiçam. Vestia calças pretas justíssimas e uma blusa branca acetinada, colada ao corpo, com o primeiro e o último botão abertos, o que evidenciava uma cintura estreita e seios fartos. Sua postura era ainda mais empinada devido aos sapatos de salto agulha altíssimo.
— Seja bem-vinda — disse ela. Era ao mesmo tempo incrivelmente bonita e intimidante. Tinha feições latinas e seus cabelos escuros estavam presos num coque alto, com algumas mechas soltas. — Já tenho um quarto aquecido para você — informou com voz suave.
Lua se sentiu desajeitada com o agasalho de Arthur e tentou ajeitá-lo para, pelo menos, mostrar que tinha um corpo ali embaixo.
— Já temos eletricidade? — perguntou, ansiosa.
— Infelizmente não — respondeu ela. — Mas acendi a lareira para você num dos quartos lá em cima.
— Que bom! Isso significa que de frio, ninguém vai morrer — comentou Sophie com um sorriso, que se esvaneceu ao olhar para a camareira. — O que foi? Isso não é uma boa notícia?
Mel não respondeu de imediato, mas a expressão em seu rosto fez com que Sophie se sentisse punida como se tivesse feito algum comentário inapropriado. Olhou em torno da sala, parando nas roupas de Lua caídas no chão. Recolheu-as com as pontas dos dedos, como se estivessem imundas em vez de molhadas.
— Sim, que neve, não? — desconversou — Estas roupas são suas? Vou mandar lavá-las.
— Oh, não! Não é necessário — disse Lua.
— Faz parte do pacote. — A expressão no rosto de Mel permanecia neutra, porém imponente.
Sophie parecia desesperada para mudar de assunto.
— Ainda não consigo acreditar como Chay se confundiu e fez a mesma reserva para duas pessoas na mesma semana — comentou, enquanto jogava mais lenha na lareira. — Ele nunca comete esse tipo de engano.
Mel fez um comentário maldoso sobre o tal de Chay e, quando Sopie ergueu a cabeça, espantada, as duas se olharam significativamente.
— Bem, eu preciso voltar para a cozinha — anunciou Sophie por fim.
— Tem razão — concordou Mel, e moveu-se para a lareira. — Sophie, meu bem, não se coloca somente um pedaço de madeira maciça no fogo, é preciso colocar alguns gravetos menores junto com ela, caso contrário o fogo morre.
Sopie ignorou-a e juntou-se a Lua ao lado do sofá.
— Não deixe que ela a intimide quando eu sair, está bem? — sussurrou, ambas assistindo Mel lidar com a lareira como se fosse uma profissional.
— Só a presença dela já é intimidante.
— Pode ser, mas é só fachada.
Mel se afastou da lareira e dirigiu-se para a porta, pegando no caminho as roupas e a frasqueira de Lua.
— Acompanhe-me por gentileza, srta. Blano — pediu ela, de volta ao modo formal de antes.
— Pode me chamar de... Lua. — Tentou corrigi-la, mas ela já tinha desaparecido.
A menos que quisesse se desfazer de sua frasqueira e de tudo o que havia dentro dela, não tinha escolha a não ser seguir Mel pelo corredor escuro. Ela ia à sua frente, caminhando com firmeza, os saltos de seus sapatos martelando o chão enquanto empunhava a lanterna para iluminar o caminho. De repente chegaram a uma bifurcação no corredor principal.
— Deste lado temos o cinema, com centenas de títulos à sua escolha — anunciou tal e qual um guia turístico. — E no final deste outro corredor temos a academia de ginástica completa, com piscina coberta e sauna. E se quiser, poderá agendar uma massagem com Sophie, ela é uma massagista excelente.
Subiram as escadas, desta vez sem a ajuda das luzes suaves vindas das arandelas nos corredores. A luz da lanterna indicava o caminho, projetando sombras estranhas, e deixando Lua ainda mais tensa. Ao chegarem ao topo, Mel abriu a primeira porta à direita.
A luz da lanterna revelava o pé-direito alto, e o chão de madeira decorado com vários tapetes. Havia uma lareira de pedra já acesa, com a madeira crepitando de maneira aconchegante. A cama de quatro colunas em madeira natural combinava harmonicamente com a cômoda e o espelho oval acima dela. Mel dirigiu-se à cômoda, sobre a qual havia uma bandeja com inúmeras velas acesas. Levou algumas para os peitoris de duas das amplas janelas, que não mostravam nada a não ser o céu negro do lado de fora.
— Coloquei um edredom extra — disse ela, apontando para a coberta meticulosamente dobrada aos pés da cama. — Há também um banheiro que é partilhado com o quarto do outro lado, mas como não há ninguém nele, ele é só seu.
— Ah, obrigada. Está perfeito.
— Neste caso, vou me retirar. Preciso verificar se o outro hóspede está bem acomodado. Tenha uma boa noite.
Assim que Mel fechou a porta, Lua correu e trancou-a com a chave. Ficou parada, sozinha, olhando à sua volta. Ocorreu-lhe, no entanto, que poderia ter sido pior: se o tal Chay não tivesse se atrapalhado e tivesse feito a reserva de forma correta, Arthur não estaria ali e aí sim, estaria mais sozinha do que nunca. Sentiu-se feliz por não estar, mas jamais admitiria isso em voz alta, nem sob tortura.
Aventurou-se no banheiro, onde escovou os dentes e passou hidratante no rosto. Sentia-se um tanto tola fazendo isso naquela casa mal-assombrada, mas essa rotina a acalmava.
Ao voltar para o quarto, olhou insegura para as velas. Havia cinco delas, três quase chegando ao fim. Será que as outras duas durariam até a manhã seguinte?
E se acabassem antes o que faria? Tinha certeza de uma coisa: da próxima vez que viajasse, não iria levar nenhuma lingerie sexy em sua frasqueira, e sim uma lanterna, chocolate e bebidas alcoólicas. Muitas!
Continua..
— Não é minha exatamente — Lua observou secamente, olhando para Arthur. — Mas essa falta de código de vestuário vem bem a calhar, pois minha bagagem foi extraviada.
— Nossa, seu dia foi ruim mesmo — Sophie comentou, solidária. — Vou ver o que posso arrumar para você amanhã de manhã, está bem? — Ofereceu-se antes de deixá-los na sala.Lua ficou ali parada como se fosse sair correndo a qualquer instante, se tivesse para aonde ir. Decidiu que iria sentar o mais longe possível de Arthur. Prevendo isso, ele levantou-se e puxou a cadeira a seu lado para que ela se acomodasse. Ela hesitou quando ele tocou de leve a base de seu pescoço.
— Ainda está com medo ou com frio? — perguntou.
— Nenhum dos dois — retrucou ela em tom seco.
— Então por que... — Arthur não terminou a frase. Não sabia o motivo, mas quando a tocara pela primeira vez, algo muito estranho tinha acontecido: sentira uma espécie de fagulha, vinda de algum lugar dentro de si... e queria sentir de novo.
Lua segurou-o pelo pulso, e ele sentiu aquela faísca se transformando numa labareda.
— Arthur...
— Humm?
— Você vive me tocando — sussurrou ela. — E se continuar eu vou...
— Vai fazer o quê? — ele provocou, sabendo que já tinha registrado a suavidade daquela pele em seu cérebro.
— ...tomar uma atitude. — Lua mordeu os lábios, nervosa.
— Tome a atitude que quiser. — Sorriu, bem-humorado quando, ela tirou sua mão da dele com um gesto teatral, levantou-se e deu a volta na mesa. Marchava como se estivesse vestindo algo tirado de uma revista de moda. Só de vê-la gingando o corpo daquela forma, sentiu-se abalado. Devia estar em péssima forma por se excitar assim tão rápido.
Do outro lado da mesa, Lua puxou uma cadeira e sentou-se empertigada, lançando-lhe um olhar de
superioridade.
— Sabe o que eu acho? Acho que está louquinha por mim — sentenciou ele.
— Você deve estar delirando. Você... — interrompeu-se, pois naquele momento Sophie voltou à sala
com uma garrafa de vinho, seguida por Micael,que pousou uma grande bandeja na cabeceira da
mesa.
— Estou me sentindo tão culpada! — desculpou-se Sophie. Tinha agora um sorriso sem graça e suas
mãos se apertavam nervosamente. — As ordens de Chay são para fazer uma refeição gourmet, com
três pratos, e eu passei o dia todo fazendo um frango assado com polenta e queijo,acompanhado
de cogumelos
trufados, mas quando a energia caiu o forno desligou e eu não consegui terminar nada...
— Calma, não se preocupe! — tranqüilizou-a Arthur. — Não tenho frescuras para comida.
— Nem eu, muito obrigada por nos servir esta refeição. — Lua deu-lhe um sorriso sincero, um
daqueles que não tinha dado para Arthur.
— Oh, mas não é nem de longe o que deveria ser — desculpou-se Sophie mais uma vez, ainda
apertando as mãos. — Mas esperem até amanhã, vou mimar vocês até não agüentar mais — disse
enquanto pegava uma das bandejas já vazia.
Lua estava levando uma uva à boca, mas parou no meio do caminho. Colocou-a de volta no
prato e olhou para Arthur, esperando uma resposta.
Arthur sabia que ela esperava que ele confirmasse que na manhã seguinte não haveria dois
hóspedes, pois ele iria embora. Mas em vez disso ele simplesmente sorriu, pois não tinha a
menor intenção de sair dali.
Lua fulminou-o com o olhar e comentou:
— Um de nós vai partir amanhã. — E ao ver que Arthur negava com a cabeça, indagou: — Como assim, não?!
— As estradas estão bloqueadas e ninguém vai conseguir passar por elas até que essa nevasca acabe. Enquanto isso, estamos todos presos aqui — esclareceu ele calmamente.
— E onde vocês dormem quando isso acontece? — Lua perguntou, virando-se para Sophie e Micael.
— Ah, não se preocupe conosco — respondeu Sopie rapidamente. — Há acomodações para os empregados. Vocês nem irão perceber que estamos aqui. Inclinou-se para servir mais vinho para Arthur e Lua, que afastou a cadeira para dar mais espaço a ela. Ao puxar a cadeira ouviu um arranhado que nada tinha a ver com o móvel. Olhou para o chão e recolheu um pequeno caco de vidro.
— Algo deve ter se quebrado por aqui — comentou. Sopie olhou para o caco, mas não se moveu.
— Deve ter escapado na hora da limpeza, obrigado. — Micael adiantou-se e tirou a pequena lasca da mão de Lua. Virando-se para Sophie tomou-lhe a garrafa de vinho das mãos, depositando-a sobre a mesa e indicando com a cabeça que deveriam sair.
— Então estamos presos aqui — sentenciou Arthur. — É melhor aceitar e relaxar. O que acha? — Levantou a taça de vinho, como num brinde.
Lua o olhou por um instante, levantou sua taça também e tomou todo o conteúdo de uma só vez, antes de estender o braço para pegar a garrafa novamente.
— Ei, princesa, vá com calma! — advertiu-a. — Na altitude em que estamos esse vinho vai subir direto para a sua cabeça, e rápido. Beba água também, caso contrário, vai ficar desidratada.
Lua murmurou algo ininteligível.
— Só estou tentando ajudar para que não tenha uma ressaca amanhã. — Ele riu alto e levantou as mãos em defesa.
Ia começar a se servir dos queijos e pães quando o som de passos rápidos desviou sua atenção da mesa. Não eram passos apressados como os de Sophie, ou o som inconfundível de solados de borracha como os de Micael. Esses eram pesados, duros, e havia um clique-clique como se fosse alguém mancando.
— O que é isso? — sussurrou Lua, alarmada.
— Não tenho a menor idéia — murmurou Arthur. Assustada com os passos que chegavam cada vez mais perto, Lua saltou da cadeira onde estava, caminhando apressadamente em direção a Arthur, mas no instante em que contornava a mesa, o salto de sua bota escorregou no chão liso e ela perdeu o equilíbrio.
Arthur fez o que pôde para impedi-la de cair, e segurou-a em seus braços. Os cabelos sedosos caíram em seu rosto, e seu cérebro travou quando sentiu aquelas curvas se amoldando em seu corpo. Os seios dela se comprimiam de encontro a seu peito, as pernas entrelaçadas às dele.
Foi então que uma figura extremamente alta e magra preencheu o vão escuro da soleira da porta, sem revelar suas feições. A voz masculina num sotaque escocês fortíssimo soou no ambiente:
— Desculpe, mas algum dos dois viu uma lanterna por aí? — Ainda sentada no colo de Arthur, Lua gelou de medo.
A sombra deu um passo para dentro da sala. A luz das velas o recebeu, revelando um homem, de cerca de uns trinta anos, que vestia um tipo de cinto de utilidades do qual apareciam pendurados um martelo, uma chave-inglesa e várias outras ferramentas. Daí o barulho estranho.
Arthur olhou divertido para Lua, que permaneceu onde estava por mais um instante, antes de soltar a respiração e tentar se desvencilhar do colo dele. Propositadamente, ele usou de sua força masculina para segurá-la ali. Virou-se na direção do homem e respondeu:
— Sinto muito, mas não temos nenhuma lanterna aqui.
— Estou tentando consertar o maldito gerador. — O escocês ainda soltou um palavrão e cocou a cabeça, mostrando uma cabeleira ruiva. — A energia caiu por toda vizinhança. Vai levar dias para voltar e eu não consigo consertar a droga do gerador.
— Vários dias?! — Lua perguntou, apavorada.
— Sim, isso mesmo... Bem, vou indo. — E foi embora, murmurando outras imprecações.
— Se eu chamá-lo de volta... você se joga nos meus braços de novo? — Arthur sussurrou na orelha dela.
— Ora, você não presta!
— Acha mesmo? Por que há um minuto você não conseguia desgrudar de mim?
— Solte-me! — ordenou ela, mas Arthur estava gostando de tê-la assim tão perto. — Mandei me soltar!
— Não, até que diga: "Obrigada, por salvar minha vida, Arthur." — sugeriu ele, sorrindo e imitando sua voz.
— Você não salvou minha vida coisa nenhuma! — Lua levantou-se rapidamente, e puxou o abrigo do agasalho abaixo das coxas, para que nenhuma de suas curvas ficasse à mostra. — Vou dormir; boa noite! — Com o nariz empinado, marchou para fora da sala de jantar.
Lua manteve a cabeça erguida até o momento em que deixou a sala de jantar e se viu novamente no escuro.
Parada ali, sozinha, com aquela mansão enorme e escura à sua volta, sentiu um desagradável frio na barriga.
— Vamos lá, você é corajosa — murmurou. — E uma mulher corajosa não acredita em casas mal-assombradas ou em monstros...
Alguma coisa rangeu na casa, e ela deu um pulo, enquanto disparava numa corrida. Só parou quando se viu dentro da sala e fechou as portas, recostando-se nelas, ofegante pela corrida.
A sua frente, o fogo crepitava. Os sofás de couro eram perfeitos para se aconchegar numa noite como aquela. Afastou-se das portas e caminhou em direção a eles, mas no meio do caminho as portas se abriram novamente e, com um grito de susto, ela caiu no sofá.
— Calma, sou eu! — exclamou Sophie. — Desculpe. Você está bem?
— Sim claro — mentiu. Ergueu a cabeça ao ouvir uma outra voz feminina vinda da porta.
— Oh, aí está você! Lua, esta é Mel, nossa camareira.
Mel era alta e exótica, o tipo de mulher que as mulheres invejam e os homens cobiçam. Vestia calças pretas justíssimas e uma blusa branca acetinada, colada ao corpo, com o primeiro e o último botão abertos, o que evidenciava uma cintura estreita e seios fartos. Sua postura era ainda mais empinada devido aos sapatos de salto agulha altíssimo.
— Seja bem-vinda — disse ela. Era ao mesmo tempo incrivelmente bonita e intimidante. Tinha feições latinas e seus cabelos escuros estavam presos num coque alto, com algumas mechas soltas. — Já tenho um quarto aquecido para você — informou com voz suave.
Lua se sentiu desajeitada com o agasalho de Arthur e tentou ajeitá-lo para, pelo menos, mostrar que tinha um corpo ali embaixo.
— Já temos eletricidade? — perguntou, ansiosa.
— Infelizmente não — respondeu ela. — Mas acendi a lareira para você num dos quartos lá em cima.
— Que bom! Isso significa que de frio, ninguém vai morrer — comentou Sophie com um sorriso, que se esvaneceu ao olhar para a camareira. — O que foi? Isso não é uma boa notícia?
Parada ali, sozinha, com aquela mansão enorme e escura à sua volta, sentiu um desagradável frio na barriga.
— Vamos lá, você é corajosa — murmurou. — E uma mulher corajosa não acredita em casas mal-assombradas ou em monstros...
Alguma coisa rangeu na casa, e ela deu um pulo, enquanto disparava numa corrida. Só parou quando se viu dentro da sala e fechou as portas, recostando-se nelas, ofegante pela corrida.
A sua frente, o fogo crepitava. Os sofás de couro eram perfeitos para se aconchegar numa noite como aquela. Afastou-se das portas e caminhou em direção a eles, mas no meio do caminho as portas se abriram novamente e, com um grito de susto, ela caiu no sofá.
— Calma, sou eu! — exclamou Sophie. — Desculpe. Você está bem?
— Sim claro — mentiu. Ergueu a cabeça ao ouvir uma outra voz feminina vinda da porta.
— Oh, aí está você! Lua, esta é Mel, nossa camareira.
Mel era alta e exótica, o tipo de mulher que as mulheres invejam e os homens cobiçam. Vestia calças pretas justíssimas e uma blusa branca acetinada, colada ao corpo, com o primeiro e o último botão abertos, o que evidenciava uma cintura estreita e seios fartos. Sua postura era ainda mais empinada devido aos sapatos de salto agulha altíssimo.
— Seja bem-vinda — disse ela. Era ao mesmo tempo incrivelmente bonita e intimidante. Tinha feições latinas e seus cabelos escuros estavam presos num coque alto, com algumas mechas soltas. — Já tenho um quarto aquecido para você — informou com voz suave.
Lua se sentiu desajeitada com o agasalho de Arthur e tentou ajeitá-lo para, pelo menos, mostrar que tinha um corpo ali embaixo.
— Já temos eletricidade? — perguntou, ansiosa.
— Infelizmente não — respondeu ela. — Mas acendi a lareira para você num dos quartos lá em cima.
— Que bom! Isso significa que de frio, ninguém vai morrer — comentou Sophie com um sorriso, que se esvaneceu ao olhar para a camareira. — O que foi? Isso não é uma boa notícia?
Mel não respondeu de imediato, mas a expressão em seu rosto fez com que Sophie se sentisse punida como se tivesse feito algum comentário inapropriado. Olhou em torno da sala, parando nas roupas de Lua caídas no chão. Recolheu-as com as pontas dos dedos, como se estivessem imundas em vez de molhadas.
— Sim, que neve, não? — desconversou — Estas roupas são suas? Vou mandar lavá-las.
— Oh, não! Não é necessário — disse Lua.
— Faz parte do pacote. — A expressão no rosto de Mel permanecia neutra, porém imponente.
Sophie parecia desesperada para mudar de assunto.
— Ainda não consigo acreditar como Chay se confundiu e fez a mesma reserva para duas pessoas na mesma semana — comentou, enquanto jogava mais lenha na lareira. — Ele nunca comete esse tipo de engano.
Mel fez um comentário maldoso sobre o tal de Chay e, quando Sopie ergueu a cabeça, espantada, as duas se olharam significativamente.
— Bem, eu preciso voltar para a cozinha — anunciou Sophie por fim.
— Tem razão — concordou Mel, e moveu-se para a lareira. — Sophie, meu bem, não se coloca somente um pedaço de madeira maciça no fogo, é preciso colocar alguns gravetos menores junto com ela, caso contrário o fogo morre.
Sopie ignorou-a e juntou-se a Lua ao lado do sofá.
— Não deixe que ela a intimide quando eu sair, está bem? — sussurrou, ambas assistindo Mel lidar com a lareira como se fosse uma profissional.
— Só a presença dela já é intimidante.
— Pode ser, mas é só fachada.
Mel se afastou da lareira e dirigiu-se para a porta, pegando no caminho as roupas e a frasqueira de Lua.
— Acompanhe-me por gentileza, srta. Blano — pediu ela, de volta ao modo formal de antes.
— Pode me chamar de... Lua. — Tentou corrigi-la, mas ela já tinha desaparecido.
A menos que quisesse se desfazer de sua frasqueira e de tudo o que havia dentro dela, não tinha escolha a não ser seguir Mel pelo corredor escuro. Ela ia à sua frente, caminhando com firmeza, os saltos de seus sapatos martelando o chão enquanto empunhava a lanterna para iluminar o caminho. De repente chegaram a uma bifurcação no corredor principal.
— Deste lado temos o cinema, com centenas de títulos à sua escolha — anunciou tal e qual um guia turístico. — E no final deste outro corredor temos a academia de ginástica completa, com piscina coberta e sauna. E se quiser, poderá agendar uma massagem com Sophie, ela é uma massagista excelente.
Subiram as escadas, desta vez sem a ajuda das luzes suaves vindas das arandelas nos corredores. A luz da lanterna indicava o caminho, projetando sombras estranhas, e deixando Lua ainda mais tensa. Ao chegarem ao topo, Mel abriu a primeira porta à direita.
A luz da lanterna revelava o pé-direito alto, e o chão de madeira decorado com vários tapetes. Havia uma lareira de pedra já acesa, com a madeira crepitando de maneira aconchegante. A cama de quatro colunas em madeira natural combinava harmonicamente com a cômoda e o espelho oval acima dela. Mel dirigiu-se à cômoda, sobre a qual havia uma bandeja com inúmeras velas acesas. Levou algumas para os peitoris de duas das amplas janelas, que não mostravam nada a não ser o céu negro do lado de fora.
— Coloquei um edredom extra — disse ela, apontando para a coberta meticulosamente dobrada aos pés da cama. — Há também um banheiro que é partilhado com o quarto do outro lado, mas como não há ninguém nele, ele é só seu.
— Ah, obrigada. Está perfeito.
— Neste caso, vou me retirar. Preciso verificar se o outro hóspede está bem acomodado. Tenha uma boa noite.
Assim que Mel fechou a porta, Lua correu e trancou-a com a chave. Ficou parada, sozinha, olhando à sua volta. Ocorreu-lhe, no entanto, que poderia ter sido pior: se o tal Chay não tivesse se atrapalhado e tivesse feito a reserva de forma correta, Arthur não estaria ali e aí sim, estaria mais sozinha do que nunca. Sentiu-se feliz por não estar, mas jamais admitiria isso em voz alta, nem sob tortura.
Aventurou-se no banheiro, onde escovou os dentes e passou hidratante no rosto. Sentia-se um tanto tola fazendo isso naquela casa mal-assombrada, mas essa rotina a acalmava.
Ao voltar para o quarto, olhou insegura para as velas. Havia cinco delas, três quase chegando ao fim. Será que as outras duas durariam até a manhã seguinte?
E se acabassem antes o que faria? Tinha certeza de uma coisa: da próxima vez que viajasse, não iria levar nenhuma lingerie sexy em sua frasqueira, e sim uma lanterna, chocolate e bebidas alcoólicas. Muitas!
Continua..
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